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April 2009

Um futuro sem Amazonas

João bebe sua Coca Cola em silêncio, sentado sobre um dos troncos das árvores que acaba de cortar com sua motoserra. É muito reconfortante aproveitar da bebida fria e do silêncio depois de apagar sua ruidosa maquina. Enquanto isso, ele sorri ao pensar em sua sorte de encontrar estes árvores todos no mesmo lugar. Normalmente a João lhe tivesse levado uma semana encontrar cinco árvores deste tamanho.

Estes americanos malucos! João não sabe para que se usam a madeira. Somente sabe que a levam aos Estados Unidos e que eles pagam muito. Ele sabe que seu chefe faz muito dinheiro, e que o chefe de seu chefe faz mesmo mais dinheiro. Mas ele não se preocupa por isso, somente aproveita este momento de descanso e pensa quanto melhor é sua vida que a de seus pais.

O pai de seu pai, Takuti, não conheceu a Coca Cola, você pode crer? Nem falava português, nem nunca tinha visto um brasileiro! João sorri outra vez. Mas ele não gosta de falar disso, mesmo que muitas vezes pensa em seus antepassados. Nunca compreendeu a Kaikwati, seu pai, que queria que João não falasse português ou que vestisse as roupas que os missionários lhes davam. O nome de João era Hwinkradi. Para os missionários era muito difícil de dizer então eles começaram a chamar-lhe João. Ele gosta desse nome simples que todos podem pronunciar. Aquele outro nome lembrava a todos, mesmo a João, que ele era um índio. Não, João já não é um índio.

João mora num povo à margem do Amazonas. Cada dia a floresta está mais longe do povo e há meninos ali que nunca pisaram a selva. João não fala de Takuti ou Kaikwati com seus filhos. Às vezes trata de lembrar suas caras. Ele sabe que os missionários tomaram fotos de seus antepassados mais ele não tem nenhuma cópia.